domingo, 24 de abril de 2011

Nascendo uma estrela!

Como vou começar?
Bem o título foi o próprio Nando, vulgo Fernando Pontin, quem deu e acho que ele é mega descritivo mas para aqueles que não fazem a menor idéia do que está ocorrendo... Pois bem, vem aí o Pultec!! Sim, o lendário EQP-1A da Pulse Technologies. Foram mais de ano de pesquisas e conversas para que conseguíssemos o suficiente para dizer, "...vamos montar nosso próprio Pultec!" E sim, mais uma vez, não queríamos parecido... Nós queremos o som do Pultec, tão original quanto o original! =)
Então preparem-se... Pois aí vem ele!

Abraços!









domingo, 20 de fevereiro de 2011

Nasceu o audioFARM Electronics A312!

Sexta-feira... Eu confesso. Estava nervoso. Na noite anterior o Sasandro e o Nando Pontin haviam me mandado um e-mail com a frase "Só respira...". Eu sabia do que se tratava... Eram as fotos do primeiro protótipo da audioFARM Electronics, o A312... E as primeiras impressões... Nossa. Dormi torto. Na sexta chegava o Sandro com o brinquedo na mão. Era um som-nho se realizando! =)
Pequeno adendo aqui, para que entendam um pouco da história dessa unidade preciso fazer um breve relato. Putz, como que vou resumir ou explicar? Por muitos anos os pré das mesas API do meio/final dos anos 70, os módulos 312 em especial, foram chamados de "os prés do rock" e se tornaram o ponto de referência para o que é até hoje o som e a marca registrada da API. Estes módulos... Nunca mais foram fabricados como os originais, por N motivos... Alguns engenheiros nos EUA porém, assim como eu e muitos outros, queriam e queriam muito aquele som. Longa pesquisa e muitas, mas muitas semanas depois e acabo caindo na caixa de e-mail do Ed Anderson, engenheiro original do projeto, que à mão enrolou o que é o mais próximo de encontrar dos trafos usados nas unidades originais, mais originais que os próprios novos API! =) Para os que conhecem, o coração do som das unidades API da década de 70 é dependente muito do op-amp instalado no circuito, neste caso, o nosso usa o footprint original 2520. Uma coisa muito importante de falar sobre essas unidades é a capacidade de amar/odiar o botão que ajudou a tornar clássica essas unidades... O pad de -20db. Ele funciona de forma à permitir que os trafos sejam "fritados" adicionando ainda mais harmônicos, compressão e saturação à fonte sonora com uma série de coisas não-lineares muito legais... Ou não... Por isso a relação de amor e ódio... Bem, os demais detalhes técnicos eu deixo para quando a unidade estiver 100% pronta e lançada com os textos oficiais e tal...

Bóra começar os testes! Concorrentes? audioFARM Electronics A312, Avalon VT737sp, Universal Audio LA610, Neve Amek Purepath CIB e Focusrite/Digidesign Control 24.

Teste número 1: Voz captada com o Manley Reference Cardiod.
Resultado: Hmmm. A coisa foi meio que unânime. Para a voz do Capanga, vulgo Eduardo Sarrafo, o Neve foi melhor em todos os aspectos. O A312 na configuração mais clean (com pouco drive nos trafos) apresentou agressividade e uma qualidade aberta e "na cara", características bem parecidas com o UA LA610. Com o pad acionado e o ganho elevado nossa... Era outro cara, ainda mais agressivo e "na cara", obviamente uma bela pedida pra vocais "do mal" e mais saturadões que tem que competir com mixes muito densas e busy.
Quais compraria? Nesse caso, compraria 1º o Neve, em 2º o Avalon e em 3º o LA610.


Teste número 2: Guitarra limpa captada com o Cascade Gomez. Amplificador: Serrano Amps Classman 25 EL34 Custom Head.
Resultado: Caralho! Por muito tempo o combo Gomez+LA610 era meu go-to input signal chain para guitarra... Credo, isso acabou de forma assustadora! De forma que o LA610 teve que fazer um esforço e utilizar recursos extra pré-amp para competir. Não me entendam mal, eu amo o som do LA610, vou continuar usando-o em muitas situações obviamente. Uma das vantagens do LA610 é que ele não deturpa a fase tanto quanto o A312, principalmente quando o A312 está com o pad acionado, mas é uma situação de testar pois as vantagens são assombrosas!
Quais compraria? Bah, em 1º o A312, em 2º o LA610 e em 3º o Avalon.

Teste número 3: Guitarra BEM crunch captada com o Cascade Gomez. Amplificador: Serrano Amps Classman 25 EL34 Custom Head.
Resultado: Cruz credo... Aqui a coisa foi ainda mais assustadora! A característica agressiva e up-front do A312 é assombrosa! Só pode ser por isso que ele recebeu o título de o "pré do rock"! Quando acionado o pad então... Putz, com o trafo fritando, uma compressão mágica ocorrendo, uma saturação linda pintando...
Quais compraria? Em 1º o A312 sem um grão de pó de dúvida, em 2º o LA610 e em 3º o Avalon.

Teste número 4: Caixa de bateria captada com um Shure SM57.
Resultado: Aqui a agressividade natural do A312 limitou muito a aplicação do mesmo à poucas situações, enquanto o LA610 foi o predileto por manter os transientes intactos enquanto ainda adicionava bastante mojo ao som. O Neve ficou bem legal, assim como o Avalon.

Quais compraria? Em 1º o LA610, em 2º o Avalon e em 3º o Neve. Adendo, adoraria gravar um som bem sujão a lá Ladros, no qual usei muita saturação na caixa, diretamente no A312.

Teste número 5: Bumbo de bateria captado com um AKG D112.
Resultado: Nossa mãe! Se tu quer um bumbão absurdamente explosivo, daqueles que atravessa o que quer que esteja na frente dele, a patada do A312 com o pad acionado é de derrubar parede! A compressão que ele aplica quando faz isso é mágica e de cara me fez pensar... Heavy metal, bei... É nesse cara sem dúvida! Mas no geral... O LA610 continua imbatível, tanto em configurações mais leves quanto mais pesadas. O A312 na configuração "clean" ficou mais transparente mais ainda assim não pode bater o LA610 nem o Neve. O Avalon ficou bem legal também porém meio que "sem graça".

Quais compraria? Em 1º lugar, sem dúvida o LA610, em 2º o Neve e em 3º o Avalon.

Teste número 6: Tom e surdo de bateria captados com um Sennheiser MD421II.
Resultado: Já tinham me dito que muitos dos sons clássicos de bateria que eu tinha ouvido vinham dos API 312 e o A312 mostrou que isso era real... A textura dos médio graves dele é muito firme e presente e a característica na cara e naturalmente comprimida, de cara já fazem do A312 uma bela opção para uma enormidade de situações, de novo, quando se precisa de definição, foco e presença, ele é o cara. Os demais ficaram muito legais com o Avalon se mostrando muito equilibrado e o Neve o mais gravão porém menos definido.

Quais compraria? Para esta situação, em 1º, não serei hipócrita pois o A312 tem tamanha personalidade musical que qualquer coisa que atravesse seu circuito leva um pedaço do seu som no DNA... E isso nem sempre é bom, de forma que eu ficaria com o Neve. Em 2º lugar sim eu pegaria o A312 e em 3º o Avalon.

Teste número 7: Overhead captando pratos de bateria simulando um dos lados de uma montagem X/Y. Microfone usado: Shure KSM109.
Resultado: Uia! Quero ver se essa compressão não vai trazer "outras coisas" em demasia, mas se não trouxer, para a grande maioria, de novo, dos trabalhos rock 'n' roll, esse é o pré para overs... Compressão mágica FTW! O Avalon manteve os transientes lindos e claros, assim como o LA610. Embora o Avalon tenha soado "mais transparente" e macio, LA610 foi mais meu gosto pessoal.

Quais compraria? De novo, não serei hipócrita, em 1º eu optaria pelo Avalon, em 2º o LA610 e em 3º o A312.

Resumo: Cor. O A312 é cor. Transparência não é com ele, ele é um pré-amp de personalidade forte, muito forte! Essa personalidade é extremamente agressiva e NA CARA. Se eu tivesse que ir para uma ilha deserta não seria ele que eu levaria comigo, mas se tu procura um mojo especial, o som clássico dos consoles API do final da década de 70 ou se teu negócio é o bom e velho rock 'n' roll, bem, então sim, tu ia querer levar esse (ou o LA610) pra uma ilha deserta. =)

Muito feliz, finalizamos os testes e ficamos discutindo por horas a fio! Que venha o Pultec! \o/
Forte abraço!
Life's too short for bad tones!





segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

"Nasceu!" - "É menino ou menina?" - "...Hmm... É... Um clássico!"

Bem... É com esse post que vou pré-inaugurar algo muito bacana.
Como essa história envolve muita gente, muitos acontecimentos, muito tempo decorrido e todas elas têm ou terão envolvimento direto sobre isto sobre o qual vou escrever, vou tentar contar a história de uma forma resumida, mas que explique tudo.

Bem, eu sempre gostei de elétrica e de eletrônica. Há muitos anos atrás conheci o Fernando Pontin durante um trampo com a banda dele, a Bandeira Preta, e naquela época o Nando estava se formando em engenharia elétrica, me perguntou se poderia usar seu trabalho de conclusão, um amplificador, nas gravinas. Ele me falou que estava montando o amplificador junto do seu mentor, um já tradicional hand-maker, mas para mim, na época, ainda desconhecido. Tratava-se de André Serrano da Serrano Amps. Ele montou seu o amplificador no que hoje é o design e visual tradicional da Serrano Amps e quando chegou com aquele head de madeira já me apaixonei, era um dos "protótipos" do que viria a ser o Serrano Amps Victory 45. Fiquei encantado. O tempo passou. O Nando foi à Inglaterra, trabalhou na Hi-Watt, voltou. Uns dois anos desde o último encontro e o Nando me liga. Vêm fazer uma visita e trás consigo 2 cabeçotes, um com um visual de "fogãozinho", com volume e tone, e um outro no gabinete de madeira, ambos com o logo da Serrano Amps. Ele plugou uma guita e tocou Back in Black do AC/DC. Foi paixão a primeira vista! Eu queria o som daquele fogãozinho! Não sabia onde, mas eu queria... Novamente um par de anos se passou, eu estava produzindo o 1º disco da banda Draco e, FINALMENTE, como era um trabalho que eu estava produzindo, decidi, quero o som daquele bendito fogão! Liguei ao Nando e lembro da resposta "...cara, acho que o Serrano converteu ele pra um amplificador de gaita e vendeu... Mas liga pro cara...". Liguei na cara-dura, me apresentei e expliquei. Recebi a confirmação triste. Desencanei e peguei um amplificador "parecido"... Meses se passaram. Liguei novamente pro Serrano. Contei a história, convidei-o à conhecer o rancho e disse "...quero o fogão!". Ele veio mas não trouxe o fogão. Conversamos por horas e dali em diante passamos a trocar e-mails quase diários até que ele disse "...ok, já sei qual amplificador tu quer!". Um par de meses depois e chegava o meu "fogão", mas não na carcaça do fogão e confesso que até me acostumar à idéia levou um tempinho... 1 ano se passou. Viramos parceiros. Aprendi absurdos, minha sede pela elétrica e eletrônica aumentou. Voltando no tempo... Enquanto isso tudo acontecia, aconteciam diariamente durante todos os dias da minha realidade unidades clássicas, como o Fairchild 670, o Pultec EQP-1A, o Neve 1073, os API 312, etc, não importa como, eles sempre aconteciam, fosse como plug-in, como review em uma revista, como equipamento usado em alguma produção clássica, como resultado de pesquisa no e-bay, enfim, lá eles estavam... Eu queria, e MUITO... Conversávamos Sandro e eu, mas as unidades originais? Sempre distantes... Mas eu queria, e MUITO. Conforme fui conhecendo e conversando com o Serrano, esse sonho passou a fazer um pouco mais de sentido... Pesquisei, encontrei material, continuei pesquisando, conversando, conheci pessoas, aprendendi... e eu queria, e MUITO. Falei com o Sandro. Vamos fazer? E começamos. Mandamos fazer placas, enrolar trafos com engenheiros renomados, conversamos com nomes importantíssimos, conseguimos projetos originais, pesquisamos... Mas estávamos em marcha lenta... Bem lenta. Aparece o Nando novamente. Meio sem jeito, falo, mostro, explico. Brilha algo no olho dele... E pronto! Eu e o Sandro tínhamos o novo parceiro, aquele que faltava!

Bem, acho que por aí é possível entender um pouco da história da coisa toda. Super resumo? Vamos fazer à mão os nossos próprios clássicos, os nossos Fairchilds, os nossos Pultecs, os nossos APIs, os nossos LA-2As, etc.

Segue então aí embaixo umas fotinhos do fogãozinho a lá AC15 feito pelo Nando, umas fotinhos do STR original do Serrano, que foi comigo, com o James e com o próprio André em nossa viagem à Expomusic de 2009, e fotinhos de nosso 1º protótipo de testes do que virá a ser o futuro audioFARM Electronics A312! =)

Espero que curtam, forte abraço!
Life's too short for bad tones!